O que o modelo contém
Uma obra de túnel não é uma sequência de serviços. É uma máquina avançando na velocidade que o maciço permite, com todo o resto organizado para mantê-la andando. O modelo é organizado assim:
- Licenciamento, investigação geotécnica e contratação — Sondagens e o relatório geotécnico de referência, projeto de traçado e de revestimento, licenciamento ambiental junto ao órgão ambiental (LP e depois LI) e a outorga onde houver interferência com curso d'água, e a concorrência da TBM, que fixa todas as datas seguintes. Marcos: LI emitida, contrato da TBM assinado.
- Poço de partida e instalação do canteiro — Canteiro e instalações provisórias conforme a NR-18, paredes-diafragma, escavação do poço, laje de fundo, muro de reação e câmara de partida — mais a produção de aduelas, que precisa estar à frente da máquina já no primeiro dia. Marco: poço de partida pronto para receber a TBM.
- Fabricação, transporte e montagem da TBM — Configuração da cabeça de corte para o maciço previsto, fabricação, teste de aceitação em fábrica, embarque em seções, descida pelo poço e montagem subterrânea. Marco: TBM pronta para partir.
- Escavação — Partida pelo soft eye, as primeiras centenas de metros em curva de aprendizado, avanço sustentado em maciço misto, uma intervenção hiperbárica para troca de ferramentas de corte, a travessia sob o rio, e o pano de fundo permanente de monitoramento de recalques, suprimento de aduelas e retirada de material. Marco: breakthrough.
- Galerias de interligação e obras complementares — Tratamento do maciço e escavação das galerias de interligação enquanto a máquina ainda está à frente, desmontagem e retirada da TBM, injeção de preenchimento, levantamento dos anéis e revestimento secundário. Marco: túnel estruturalmente concluído.
- Acabamento, sistemas e comissionamento — Passadiço e drenagem, eletrocalhas, ventiladores e dutos, rede de incêndio e supressão, energia e iluminação, comunicação e SCADA, e então o ensaio de fumaça quente com o Corpo de Bombeiros e o dossiê de segurança. Marco: entrega para operação.
Como adaptar
- Tire a taxa de avanço do relatório geotécnico de referência, e não da melhor semana da sua última obra — depois quebre a escavação em barras por unidade geotécnica, para que um trecho ruim apareça em vez de sumir na média.
- Dê às primeiras centenas de metros uma barra própria, curta e lenta. Toda TBM tem curva de aprendizado enquanto equipe, injeção e transporte de material se ajustam, e planejar esse trecho em produção plena é atraso garantido logo no começo.
- Acrescente uma barra de intervenção hiperbárica onde o relatório previr maciço abrasivo. Troca de ferramenta de corte é evento programado, com duração conhecida; descobri-la no meio da escavação é o que a transforma em um mês. Trabalho em ar comprimido e em espaço confinado ainda puxa os requisitos da NR-33 — liberação de entrada, vigia, tempos de acesso e de descompressão entram na duração da barra, não em nota de rodapé.
- Modele o fornecimento de aduelas como barra contínua ao longo de toda a escavação, e confira a produção da fábrica de aduelas contra o seu pico semanal de anéis, e não contra a média.
- Mostre a retirada de material e o destino do bota-fora explicitamente. Silo cheio ou área de bota-fora sem licença param a máquina tão bem quanto uma falha mecânica.
- Marque LI emitida, contrato da TBM assinado, poço pronto, TBM pronta para partir e breakthrough como marcos — essas cinco datas são o resumo da obra inteira.
Dicas de cronograma
- Compre a máquina antes de fechar o resto do projeto. A configuração da cabeça de corte depende do maciço, e não da arquitetura das estações, e o relatório geotécnico costuma bastar para colocar o pedido muito antes de o projeto executivo estar fechado.
- Trate o poço de partida como o caminho crítico que ele é. Parede-diafragma, escavação, laje de fundo e muro de reação são sequenciais e todos em solo mole; não há como comprimir o final dessa corrente para compensar um começo atrasado.
- Nunca planeje as galerias de interligação como serviço de enchimento. Elas exigem tratamento do maciço, são a atividade de maior risco da maioria das obras de túnel, e dependem de os anéis daquele trecho estarem completos e injetados.
- Mantenha o monitoramento de recalques rodando desde antes da partida até bem depois de a máquina passar. Leitura de referência tomada depois do início da escavação não vale nada, e injeção de compensação precisa estar instrumentada antes de ser necessária.
- Breakthrough não é o fim. Na maioria das obras, acabamento, ventilação e sistemas de incêndio depois do breakthrough demoram mais do que se imagina, e o ensaio de fumaça e o dossiê de segurança ficam atrás de tudo no caminho crítico para a abertura.
- Agende o Corpo de Bombeiros para o simulado com meses de antecedência. O ensaio de fumaça quente exige a presença deles, e a agenda deles não é sua — um horário perdido empurra a entrega em semanas com o túnel fisicamente pronto.
Modelos relacionados
- Cronograma de construção de ponte
- Cronograma de obra rodoviária
- Plano de modernização de sinalização ferroviária
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Este modelo está em português. Páginas relacionadas ainda não traduzidas abrem em inglês.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para construir um túnel?
Um túnel urbano de tubo único e poucos quilômetros costuma levar de 30 a 40 meses do licenciamento à entrega, que é aproximadamente o que o modelo usa. A variação está no prazo de fabricação da TBM na frente e nas condições do maciço durante a escavação.
Com quanta antecedência devo encomendar a TBM?
Projeto, fabricação, teste de aceitação em fábrica e transporte costumam levar de 12 a 18 meses numa máquina sob medida, e a montagem subterrânea soma mais. O pedido tem que ser colocado enquanto o poço ainda está sendo projetado, e não quando ele estiver pronto.
Como o licenciamento ambiental entra no cronograma?
Como três barras, e não uma. A licença prévia trata da viabilidade e do traçado, a licença de instalação libera a obra, e a licença de operação vem no fim; entre elas há condicionantes com prazos próprios, e interferência com curso d'água ainda exige outorga do órgão gestor de recursos hídricos. Os prazos variam por estado e pela complexidade do empreendimento, então trate cada etapa como barra com responsável e data, em vez de um único bloco chamado "licenças".
Como planejar uma taxa de avanço que não dá para prever?
Quebre a escavação em barras por unidade geotécnica a partir do relatório geotécnico de referência e dê a cada uma a sua própria taxa. Assim um trecho lento aparece como trecho lento, em vez de ficar escondido numa barra única com média.
Por que o cronograma desacelera no início da escavação?
Toda escavação tem curva de aprendizado. Equipe, ciclo de montagem de anel, injeção e transporte de material levam algumas centenas de metros para se ajustar, e planejar as primeiras semanas em produção plena é um dos estouros iniciais mais comuns.
O modelo de cronograma de obra de túnel é gratuito?
Sim. Downloads gratuitos em Excel, PowerPoint e CSV, e edição online gratuita, sem cadastro.